Qualificações e Defesas

FARMACOCINÉTICA E EFEITO CARDIOVASCULAR DA DAPAGLIFLOZINA EM PACIENTES COM DOENÇA RENAL CRÔNICA EM DIÁLISE: UM ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO

Candidato(a): Joaquim de Paula Barreto Fonseca Antunes Orientador(a): Andrei Carvalho Sposito
Doutorado em Fisiopatologia Médica
Apresentação de Defesa Data: 21/05/2026, 08:30 hrs. Local: Anfiteatro - FCM/ PG
Banca avaliadora
Titulares
Andrei Carvalho Sposito - Presidente
Adriana Castello Costa Girardi
Fabiola Taufic Monica Iglesias
Mario Jose Abdalla Saad
Maria Eugenia Fernandes Canziani
Suplentes
Renato Simoes Gaspar
Thyago Proença de Moraes
Marilda Mazzali
Pedro Lopes - Universidade de São Paulo

Resumo


Introdução

As gliflozinas reduziram de forma consistente eventos cardiovasculares em indivíduos com doença renal crônica (DRC), incluindo redução de até 29 no risco combinado de morte cardiovascular e hospitalização por insuficiência cardíaca (IC). Embora parte desse efeito seja atribuída à natriurese, evidências experimentais sugerem mecanismos adicionais independentes da função renal, incluindo modulação do metabolismo energético miocárdico e melhora da função vascular. O presente projeto de doutorado teve por objetivo testar, pela primeira vez, a hipótese de que a dapagliflozina, pelos mecanismos supracitados independentes de função renal, é segura e produz benefício cardiovascular em pacientes com DRC avançada em regime de diálise.

Métodos

Esta tese compreendeu dois estudos complementares. O estudo DARE-1 foi um ensaio prospectivo de farmacocinética que avaliou a segurança e as propriedades farmacocinéticas da dapagliflozina em indivíduos com insuficiência renal terminal submetidos à hemodiálise ou diálise peritoneal, comparados a controles com função renal preservada. Os participantes receberam dapagliflozina 10 mg e foram submetidos a coletas seriadas de plasma e dialisato para determinação das concentrações do fármaco e de seu metabólito inativo por cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massa, permitindo o cálculo de parâmetros farmacocinéticos e medidas de dializabilidade. O desfecho primário deste estudo foi a exposição sistêmica a dapagliflozina, medida pela área sob a curva de concentração sérica x tempo durante a sessão de diálise e após 7 dias de tratamento diário com dapagliflozina. Desfechos secundários incluíram a dialisabilidade da dapagliflozina e outros parâmetros de farmacocinética.

O segundo estudo da tese compreendeu um ensaio clínico randomizado, aberto, controlado, cego para desfechos (PROBE), que avaliou o efeito cardiovascular da dapagliflozina em pacientes em diálise. Neste estudo, indivíduos de ambos os sexos, em diálise há ao menos 3 meses, foram randomizados em igual proporção para manter seu tratamento (grupo controle) ou receber adicionalmente dapagliflozina (grupo dapagliflozina) por 24 semanas. Os participantes completaram, na avaliação inicial e após 24 semanas, avaliação que incluiu a realização de coletas de amostras de plasma, ecocardiografia, teste de caminhada e aplicação de escala de sintomas. O desfecho primário foi a mudança nos níveis séricos de NT-ProBNP. Desfechos secundários incluíram a mudança na distância percorrida no teste de caminhada e a mudança na pontuação da escala clínica do questionário KCCQ. Desfechos de segurança pre-especificados foram registrados. A análise exploratória compreendeu parâmetros ecocardiográficos e a mudança nos valores de troponina, hemoglobina e hematócrito.

Resultados

No estudo de farmacocinética, a dapagliflozina apresentou rápida absorção oral e concentrações plasmáticas máximas comparáveis às observadas em indivíduos com função renal preservada. Não houve evidência de acúmulo clinicamente relevante após doses repetidas, e a recuperação do fármaco no dialisato foi inferior a 1 da dose administrada, indicando baixa dialisabilidade. O tratamento foi bem tolerado, sem ocorrência de eventos adversos graves.

No ensaio clínico subsequente (DARE-2), o tratamento com dapagliflozina por 24 semanas não resultou em redução significativa dos níveis de NT-proBNP em comparação ao grupo controle. Da mesma forma, não foram observadas diferenças significativas na capacidade funcional, na carga sintomática ou nos parâmetros ecocardiográficos avaliados. Entretanto, observou-se aumento discreto do hematócrito entre os indivíduos tratados com dapagliflozina, achado consistente com estímulo à eritropoiese previamente descrito para essa classe farmacológica. O tratamento foi bem tolerado e não se associou a aumento significativo de eventos adversos.

Conclusão

Pela primeira vez, os resultados desta tese demonstraram que, em pacientes em regime regular de hemodiálise ou diálise peritoneal, o início do tratamento com dapagliflozina é seguro, sem efeitos tóxicos ou cumulativos, mas não cursou com mudança estatisticamente significativa em marcadores cardiovasculares de sobrecarga ventricular, sintomatologia ou performance cardiopulmonar.



Aspectos funcionais e estruturais das vias aéreas e parênquima pulmonar em pacientes egressos de internação por COVID-19

Candidato(a): Odair Henrique Gavério Diniz Orientador(a): Marcos Mello Moreira
Doutorado em Ciências da Cirurgia
Apresentação de Defesa Data: 21/05/2026, 13:00 hrs. Local: Anfiteatro da pós-graduação
Banca avaliadora
Titulares
Marcos Mello Moreira - Presidente
Universidade Estadual de Campinas- Universidade Estadual de Campinas
Debora Aparecida Oliveira Modena- Instituto de Responsabilidade Social Sírio Libanês
Andrea de Cassia Vernier Antunes Cetlin- Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo
Jose Dirceu Ribeiro
Luiz Claudio Martins
Suplentes
Carolina Kosour - Universidade Federal de Alfenas-UNIFAL-MG
Silvio Oscar Noguera Servin - UNIMED
Maria Ângela Gonçalves de Oliveira Ribeiro - Universidade Estadual de Campinas

Resumo


INTRODUÇÃO: A COVID-19 teve um impacto significativo na saúde global, causando complicações respiratórias graves e persistentes. Sendo crucial identificar as alterações funcionais e estruturais subsequentes à infecção grave. O objetivo deste estudo foi investigar essas alterações em pacientes após alta hospitalar por pneumonia COVID-19, utilizando capnografia volumétrica (VCap), espirometria e análise quantitativa automatizada da tomografia de tórax de alta resolução (TCAR). MÉTODO: Este estudo transversal avaliou 36 pacientes ambulatoriais pós-COVID-19 (idade média de 53,97 anos), egressos de hospitalização por pneumonia, sem histórico de intubação ou pneumopatia prévia. Os pacientes foram comparados com grupos saudáveis, e a análise estrutural das imagens da TCAR foi realizada usando o software automático YACTA. Os exames funcionais (VCap e espirometria) e estruturais (TCAR) foram realizados de forma padronizada. RESULTADOS: O grupo COVID-19 apresentou um índice Tobin (RSBI) elevado, com função pulmonar comprometida, evidenciada pela redução significativa da Capacidade Vital Forçada (CVF) e do Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1). A VCap indicou maior heterogeneidade ventilatória periférica (aumento significativo do P3Slp). Estruturalmente, a TCAR revelou aumento da densidade pulmonar média (MLD) e Percentil 90 (P90th), sugerindo dano intersticial, e redução do volume vascular periférico (VolVP), indicando estreitamento da vasculatura. O padrão restritivo correlacionou-se consistentemente com o aumento da densidade tecidual. CONCLUSÃO: Pacientes pós-COVID-19 manifestam comprometimento intersticial, maior heterogeneidade ventilatória e alterações fisiológicas. Achados tomográficos sugerem que a infecção pode ter afetado bronquíolos periféricos, resultando em estreitamento da vasculatura pulmonar. Devido à persistência dessas alterações estruturais e funcionais, o acompanhamento por tempo prolongado é necessário para esses indivíduos.



Candidato(a): Miriam Alejandra Camas Castillo Orientador(a): Jose Guilherme Cecatti
Doutorado em Tocoginecologia
Apresentação de Qualificação Data: 25/05/2026, 09:00 hrs. Local: Sala Azul CPG
Banca avaliadora
Titulares
Jose Guilherme Cecatti - Presidente
Jose Paulo De Siqueira Guida
Luiz Francisco Cintra Baccaro
Suplentes
Maria Laura Costa Do Nascimento

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DE MÚSCULO NA DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENNE: ESTUDO EXPLORATÓRIO DA TEXTURA COMO POTENCIAL BIOMARCADOR

Candidato(a): Letícia Silva Souza Orientador(a): Marcondes Cavalcante Franca Junior
Doutorado em Fisiopatologia Médica
Apresentação de Defesa Data: 25/05/2026, 14:00 hrs. Local: Anfiteatro Pós graduação
Banca avaliadora
Titulares
Marcondes Cavalcante Franca Junior - Presidente
Rosana Hermínia Scola- Universidade Federal do Paraná
Alexandra Prufer de Queiroz Campos Araujo- Universidade Federal do Rio de Janeiro
Simone Appenzeller
Ana Carolina Coan
Suplentes
Clarissa Lin Yasuda
Fabricio Diniz de Lima - Faculdade de Ciências Médicas - Universidade Estadual de Campinas
Ingrid Faber de Vasconcellos - Universidade de Brasilia

Resumo


A distrofia muscular de Duchenne (DMD) é uma doença genética causada por variantes patogênicas no gene DMD localizado no braço curto do cromossomo X. Ela tem caráter progressivo, sendo caracterizada por degeneração muscular e declínio funcional. Biomarcadores confiáveis capazes de detectar alterações estruturais precoces e monitorar a progressão da doença ainda representam uma necessidade clínica não atendida. Este estudo teve como objetivo investigar se a análise quantitativa da textura a partir de imagens de ressonância magnética muscular (RMm) pode servir como um biomarcador de imagem sensível para avaliação transversal e longitudinal da progressão da doença na DMD.

Para isso, trinta e cinco pacientes com DMD geneticamente confirmada e 13 controles saudáveis pareados por idade foram submetidos à RMm padronizada na avaliação basal. Seis pacientes repetiram o exame após 12 meses. Os parâmetros de textura foram extraídos utilizando o software Mazda ®. A avaliação clínica incluiu a escala Motor Function Measure (MFM). As mudanças ao longo do tempo e as correlações entre as métricas de textura e os parâmetros clínicos foram analisadas por meio de métodos estatísticos apropriados.

Os pacientes com DMD e os controles saudáveis incluídos eram comparáveis em idade (11,0 ± 3,91 vs. 12,0 ± 4,14 anos) e índice de massa corporal (IMC) (21,3 ± 5,67 vs. 19,91 ± 6,85; p > 0,05). Os parâmetros de textura diferiram significativamente de acordo com o grupo muscular. O músculo sóleo apresentou o maior poder discriminatório, com todos os parâmetros avaliados alcançando significância estatística (p < 0,0009), enquanto o quadríceps não demonstrou diferenças significativas. A análise de textura manteve-se sensível em pacientes em estágio inicial (Mercuri 0–1), com o parâmetro Mean destacando-se como o mais relevante nos músculos dos membros inferiores e Variance nos membros superiores. Mean e Sum Average correlacionaram-se com o MFM-D2 e MFM-T em diferentes músculos. Na análise longitudinal, o semitendíneo apresentou mudança significativa no parâmetro Mean ao longo de 12 meses, sugerindo sensibilidade à progressão da doença.

A análise de textura muscular parece ser um biomarcador quantitativo promissor para o monitoramento da progressão da doença na DMD. Essa técnica pode complementar as ferramentas clínicas e de imagem já existentes e aprimorar a avaliação longitudinal tanto na prática clínica quanto em ensaios terapêuticos.



DISPOSITIVO INTRAUTERINO NO PÓS-PARTO IMEDIATO: TÉCNICAS DE INSERÇÃO E SEGUIMENTO

Candidato(a): Thuany Bento Herculano Orientador(a): Fernanda Garanhani De Castro Surita
Doutorado em Tocoginecologia Coorientador(a): Patricia Moretti Rehder
Apresentação de Defesa Data: 25/05/2026, 14:00 hrs. Local: Anfiteatro Caism (Kazue Panetta)
Banca avaliadora
Titulares
Fernanda Garanhani De Castro Surita - Presidente
Maria Laura Costa Do Nascimento
Rossana Pulcineli Vieira Francisco- Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Isabel Cristina Esposito Sorpreso- Universidade de São Paulo
Luiz Francisco Cintra Baccaro
Suplentes
Adriana Gomes Luz
Carla Betina Andreucci Polido - Universidade Federal de São Carlos
Claudia Garcia Magalhães - FACULDADE DE MEDICINA DE BOTUCATU - UNESP

Resumo


Introdução: A inserção pós-parto imediata do dispositivo intrauterino (DIUPP) é uma medida segura e efetiva para prevenção de gestações não planejadas. Objetivo: comparar duas técnicas de inserção do DIU pós-placentário (manual vs. Pinça Kelly modificada) após parto vaginal em relação à expulsão, dor, sangramento, perfuração e infecção. Como também propor a melhor estratégia de seguimento dessas puérperas de acordo com as evidências científicas disponíveis na literatura. Métodos e resultados: Realizamos um ensaio clínico e uma revisão escopo apresentados separadamente a seguir: 1 - Ensaio clínico randomizado com 210 mulheres admitidas para parto vaginal que desejavam usar o DIU e não apresentavam contraindicações. Foram alocadas 105 por grupo – inserção pós-placentária manual ou inserção com Pinça Kelly modificada. A dor foi avaliada através da escala visual analógica (EVA) imediatamente após a inserção. Utilizamos estatística descritiva e análise bivariada. Para avaliar a tendência temporal de expulsão após admissão de novos médicos residentes foi realizado o teste de Cochran-Armitage. As participantes foram reavaliadas em consulta entre 6-12 semanas pós-parto. A taxa de expulsão completa do DIU foi de 20,5 , sem diferença entre inserção com pinça e manual (25 vs. 16,7 , p=0,168). A expulsão foi facilmente percebida pela mulher, ocorreu precocemente (até 15 dias) e se manteve estável ao longo do período do estudo, apesar da admissão de novos médicos residentes (Z=-1,90; p=0,057). A inserção foi bem tolerada, com a maioria das mulheres (61,2 ) referindo “nenhuma dor ou dor leve”. A inserção manual foi mais desconfortável em relação à pinça (p=0,001), mesmo com a utilização de peridural (p=0,002). Não houve nenhum caso de perfuração uterina, infecção ou sangramento aumentado. 2 – Usando a metodologia de revisão de escopo delineada pelo Joanna Briggs Institute (JBI), uma revisão de cinco estágios foi delineada: (1) determinação da questão de pesquisa, (2) estratégia de busca, (3) critérios de inclusão, (4) extração de dados e (5) análise e apresentação dos resultados. A estratégia de busca foi aplicada a 9 bancos de dados que refletem literatura empírica e cinzenta. Um processo de triagem de dois estágios foi usado para determinar a elegibilidade dos artigos. Para serem incluídos na revisão, os artigos deveriam descrever como foi realizado o seguimento de puérperas (adolescentes ou adultas) que tiveram um DIU inserido imediatamente após o parto (vaginal ou cesariana). Todos os artigos foram avaliados de forma independente para elegibilidade e os dados dos artigos elegíveis foram extraídos e mapeados usando um formulário padronizado. Os dados extraídos foram analisados usando análises narrativas e descritivas. A revisão abrangeu 46 estudos. O tempo médio de seguimento foi de 7,5 meses. A maioria das publicações (93,5 , n=43) propôs pelo menos uma avaliação clínica por um profissional de saúde, com exames especular para checagem dos fios 6 semanas pós-parto. O ultrassom foi realizado de forma rotineira em 62,2 dos estudos e de forma complementar, quando fios ausentes, em 31,1 deles. A inserção pós-cesariana teve mais fios ausentes e necessitou de realização de mais ultrassonografias. A complicação mais investigada (82,6 dos estudos) e encontrada foi a expulsão (11,8 - seguimento ultrassonográfico de rotina; 8,2 - ultrassom apenas se fios ausentes). A expulsão foi mais frequente após o parto vaginal. Perfuração uterina e infecção foram complicações raras, independentemente do tipo de seguimento realizado. Alterações rotacionais são frequentes e dinâmicas no seguimento do DIUPP, porém não sabemos o impacto delas nos sintomas de dor e/ou sangramento, bem como no aumento do risco de perfuração uterina. Conclusões: Não houve diferença significativa na taxa de expulsão conforme a técnica de inserção. O desconforto durante a inserção foi maior para o grupo de inserção manual, com ou sem analgesia. A inserção de DIU pós-placentário foi bem tolerada, segura e facilmente reprodutível por médicos em formação. Alguma forma de verificação do DIUPP é necessária após a involução do útero para o tamanho habitual. A inserção pós-parto vaginal ou cesariana tem especificidades em termos de expulsão e visibilidade dos fios e podem requerer seguimentos diferentes. Novos estudos para avaliar o impacto das posições não habituais do DIUPP são necessários para evitar remoções desnecessárias.