Resumo
A inflamação crônica é um elemento central na carcinogênese do carcinoma de células escamosas de orofaringe (CCEOF). Citocinas pró-inflamatórias como IL1A, IL1B, IL32 e CCND1, podem ter sua expressão modulada por variantes de nucleotídeo único (SNVs). Entretanto, o papel dessas SNVs no CCEOF é incerto. Assim, o objetivo deste estudo foi investigar se as SNVs IL1A rs2856836 (G/A), IL1B rs1143627 (G/A), IL32 rs4786370 (C/T) e CCND1 rs7177 (A/C) e rs678653 (C/G) estão associadas ao risco do CCEOF, às características clínico-patológicas, ao prognóstico e ao microambiente tumoral (MT). Foram analisados 476 pacientes e 575 controles. Os genótipos foram obtidos por RT-PCR e a composição celular do MT foi caracterizada por imunohistoquímica (CD68, CD3 e CD20) em amostras de tissue microarray. A SNV IL1B rs1143627 foi selecionada para análise funcional adicional (expressão gênica por qPCR e ensaio da luciferase). As diferenças entre grupos e de fatores prognósticos foram avaliadas por testes apropriados e análises multivariadas foram conduzidas. Os resultados demonstraram que nenhuma das SNVs investigadas influenciou o risco de ocorrência e o prognóstico do CCEOF. Entretanto, os genótipos GG ou GA da IL1A rs2856836 foram mais frequentes em tabagistas (59,3 vs. 39,0 , p= 0,003), e o genótipo GG foi associado a tumores volumosos (96,5 vs. 88,1 , p< 0,001). Ainda, pacientes com genótipos GA ou AA apresentaram maiores níveis de linfócitos B no componente estromal do MT (3,3 vs. 1,0 , p= 0,01). Em relação à IL1B rs1143627, os genótipos GG ou GA foram mais frequentes em tumores HPV negativos (96,5 vs. 88,1 , p< 0,001), e o genótipo GG associou-se à maiores níveis de linfócitos B no MT tumoral (0,3 vs. 0,2 , p= 0,04), além de demonstrar menor expressão gênica (0,36 vs. 1,17 , p= 0,01) e menor atividade transcricional (2,95 vs. 4,43 , p= 0,02). Para a IL32 rs4786370, o genótipo TT esteve associado a maiores níveis de macrófagos no MT tumoral (6,8 vs. 2,5 , p= 0,006), enquanto o genótipo CT foi relacionado a maior infiltração de linfócitos T no estroma (14,3 vs. 4,3 , p= 0,01) e o genótipo CC com linfócitos B no tumor (1,1 vs. 0,2 , p= 0,009). Para a CCND1 rs678653, os genótipos CG ou GG foram mais comuns em pacientes com acometimento linfonodal (68,7 vs. 53,9 , p= 0,003). Nossos achados indicam que as SNVs IL1A rs2856836, IL1B rs1143627, IL32 rs4786370 e CCND1 rs678653 parecem modular o MT e contribuir para a heterogeneidade clínica da doença.
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